Violência, o mal do século


“Hoje não temos mais a opção entre violência e não-violência. É somente a escolha entre não-violência ou não-existência”. (Martin Luther King)

Não faz muito tempo, a violência era pensada exclusivamente como defesa da ordem pública e contenção repressiva da criminalidade, sendo, portanto de responsabilidade exclusiva do Estado e de seu aparato. Felizmente, cada vez mais a segurança e a vida são reclamadas como direitos humanos e assim diferentes atores se aliaram para construir bases jurídicas de proteção ao cidadão (ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, Estatuto do Idoso, Estatuto do Desarmamento, Lei Maria da Penha) e desenhar políticas públicas que contemplem prevenção, proteção, reparação e punição.

E Qual deve ser o papel da igreja nessa problemática?
É difícil responder quando esta violência faz parte da cultura da sociedade, ou quando ela está escondida dentro de casa. Na verdade a igreja local é chamada por Jesus Cristo para um ministério de reconciliação e pode fazer muita coisa se seguir o modelo de Jesus, pois a igreja ajuda a combater a violência através do trabalho social, educação, cultura, do apoio aos presidiários e viciados em drogas.
A função da igreja para com a violência é trazer paz. Na bíblia a palavra Shalom é uma saudação que comunica uma paz completa, resumo de tudo de bom que Deus quer oferecer quando faz aliança com o povo. A palavra paz é citada na Sagrada Escritura 239 vezes e abrange vários significados, como;
Bem-estar, felicidade, saúde, harmonia consigo, com os outros e com Deus. O apóstolo Paulo fala da mensagem cristã como “Evangelho da Paz”, creio firmemente que o Senhor está abrindo a visão da igreja e levando-nos a entender que nossa missão passa pela reconciliação integral de todos, especialmente no contexto onde acontece a violência contra os que não podem se defender.
Se as igrejas locais obedecem aos mandamentos de Deus, recebem uma capacidade surpreendente de preservar os valores do reino e iluminar os relacionamentos escurecidos pela violência, não usando o caminho de punição, mas da redenção pela oferta amorosa, pacífica, de um modo de viver; pois Jesus, vítima de uma grande violência, não responde com violência, pelo contrário, toda sua vida e missão estão a serviço da Paz.


Danielle Barros
Diretora da Casa da Provisão e
Estudante do 7º período do Curso de Serviço Social - Universo BH.